Sistema VRS no Counter-Strike: Análise, Problemas e Futuro

janeiro 05, 2026
Counter-Strike 2
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Sistema VRS no Counter-Strike: Análise, Problemas e Futuro

Visão geral do sistema VRS em Counter-Strike

O ano de 2025 marcou uma virada histórica no competitivo de Counter-Strike 2 (CS2). Os circuitos parceiros de grandes organizadoras, como ESL e BLAST, deixaram de ser o eixo central do cenário para dar lugar a um sistema aberto, definido pela Valve: o Valve Regional Standings (VRS).

Na teoria, a ideia era simples: criar um ranking global e regional que definisse convites para os principais torneios, especialmente os Majors, de forma mais transparente e menos dependente de acordos comerciais. Na prática, o primeiro ano do VRS foi turbulento, com polêmicas em convites, calendários insanos para jogadores e uma série de exemplos de injustiça competitiva.

Neste artigo, vamos destrinchar:

  • Como o VRS funciona e por que ele substituiu o sistema de parceiros e RMRs;
  • Os casos mais polêmicos envolvendo times como M80, GamerLegion, FaZe, HEROIC, NIP e PARIVISION;
  • O impacto direto em equipes de tier 1, tier 2 e tier 3;
  • A visão de figuras importantes como Mauisnake, STYKO e zonic;
  • Como tudo isso se conecta com o lado econômico do jogo – incluindo a crescente movimentação de csgo skins e o cenário de comércio em plataformas como a csgo skin trade.

Como funciona o VRS e por que ele foi criado

Antes de analisar criticamente o sistema, é importante entender o que a Valve tentou fazer com o VRS.

Por que o sistema de parceiros chegou ao fim

Por anos, o topo do CS foi dominado por ligas fechadas: times com vagas parceiras tinham presença garantida em campeonatos gigantes, independentemente da fase esportiva que atravessavam. Embora isso desse estabilidade financeira, também limitava a renovação do cenário e dificultava a ascensão de novas organizações.

A crítica principal ao sistema antigo era:

  • Times de fora do circuito parceiro tinham poucas chances de aparecer em grandes palcos;
  • Existia uma barreira comercial entre o topo e o restante do ecossistema;
  • Historicamente, histórias underdog eram raras e passavam quase sempre pelos RMRs.

Com o VRS, a Valve quis criar uma linha lógica: jogue torneios oficiais, some pontos, conquiste convites. Na teoria, qualquer time que grindasse o suficiente poderia alcançar o topo.

Conceito básico do VRS

O VRS funciona como um ranking vivo, que dá e tira pontos das equipes de acordo com seu desempenho em eventos aprovados pela Valve. Esses pontos são usados para:

  • Definir convites diretos para qualificatórios fechados;
  • Distribuir vagas em eventos de grande porte;
  • Organizar quem tem chance real de disputar um Major.

Além disso, o sistema considera cores de jogadores: ou seja, a base de três ou mais jogadores que mantém a identidade de um time para fins de ranking. É exatamente aí que começaram muitos dos problemas.

Os principais problemas no primeiro ano do VRS

Em 2025, o VRS ainda era um sistema em testes. E ficou claro que algumas falhas de design afetaram profundamente a competitividade e até a saúde mental dos jogadores.

Problemas com cores de times e convites

Logo no início do ano, casos como o da M80 expuseram uma falha estrutural. A equipe teve de usar um stand-in em um momento-chave e acabou sendo prejudicada na hora de receber convites, justamente por conta da regra de core. Em vez de refletir a força da line-up real, o sistema penalizou a organização de forma desproporcional.

Outro exemplo foi a GamerLegion, que deixou de receber pontos porque ainda estava em andamento em um torneio no momento em que o cálculo do VRS precisava ser feito. Falhas assim não são questões de nível de jogo, e sim de engenharia do sistema – algo que não deveria acontecer em um ecossistema tão grande.

Loopholes e rosters forçados em grandes eventos

Mesmo no fim do ano, durante o StarLadder Budapest Major, o VRS ainda gerava situações bizarras. Por conta da regra de cores, times foram praticamente empurrados a manter jogadores que já tinham saído da organização ou a escalar atletas que não faziam mais parte dos planos esportivos, apenas para não perder o convite.

Um exemplo citado insistentemente pela comunidade foi o caso em que Russel "Twistzz" van Dulken jogou no lugar de Håvard "rain" Nygaard, mesmo depois da saída de rain, porque qualquer mudança na core definida faria o time correr o risco de ficar sem a vaga. Em resumo: o regulamento começou a ditar a escalação mais do que o aspecto esportivo.

Desigualdade no esforço necessário para pontuar

Um dos pontos mais criticados por jogadores e analistas é que o VRS não pesa a qualidade do adversário de forma satisfatória. Em muitos momentos, valia mais encher o calendário com torneios contra oponentes mais fracos do que disputar campeonatos pesados com premiação maior, mas com menos chances de resultado positivo.

Isso levou a cenas como:

  • Times intermediários completamente exaustos após uma temporada de grind contínuo;
  • Equipes fortes ficando para trás por preferirem competir em eventos mais duros e prestigiados;
  • Organizações optando por torneios "farmáveis" em vez de buscar evolução contra os melhores.

Impacto do VRS nos times de tier 1

Para quem já está no topo do cenário, o VRS trouxe uma mistura de pressão extra e escolhas estratégicas complicadas. Alguns times conseguiram navegar relativamente bem; outros, nem tanto.

O caso Falcons e o grind extremo

O técnico Danny "zonic" Sørensen, multicampeão e hoje à frente da Falcons, descreveu bem o começo da era VRS: a equipe simplesmente teve que jogar "todo torneio possível" no primeiro semestre de 2025.

Na prática, a Falcons foi obrigada a:

  • Encarar qualificatórios e campeonatos que muitas equipes de tier 1 geralmente ignorariam;
  • Montar agendas quase sem pausa entre viagens, treinos e officials;
  • Equilibrar o risco de burnout com a necessidade de subir no ranking.

O time acabou conquistando PGL Bucharest 2025, torneio frequentemente apontado como um evento com campo mais fraco. Quando a Falcons finalmente alcançou uma pontuação confortável no VRS, reduziu a presença nesses campeonatos – um indicativo claro de que a prioridade era o sistema, não necessariamente o nível esportivo dos adversários.

HEROIC: penalizada por mirar alto

Se por um lado algumas equipes optaram por campeonatos mais acessíveis, a HEROIC seguiu o caminho oposto: escolheu disputar torneios mais disputados e, no fim, pagou caro. A queda na pontuação VRS fez com que o time ficasse de fora do Budapest Major, algo impensável alguns anos atrás, quando era presença constante no topo.

Analistas como Alex "Mauisnake" Ellenberg foram claros ao apontar que a HEROIC não geriu bem o próprio calendário em relação ao VRS. Ao mesmo tempo, fica a questão: faz sentido que um sistema de classificação puna uma equipe por querer se testar contra adversários mais fortes, enquanto outros times sobem jogando contra campos muito mais fracos?

NIP e PARIVISION: histórias de sucesso ou distorção?

Do outro lado da moeda, o VRS abriu espaço para histórias como a da Ninjas in Pyjamas (NIP) e da PARIVISION. A NIP começou 2025 praticamente do zero, sem pontos relevantes no sistema, e precisou sobreviver a um calendário pesado de open qualifiers e torneios secundários para se consolidar no tier 1. É um exemplo de ascensão que seria bem mais difícil na era dos parceiros.

Já a PARIVISION virou um dos pontos mais polêmicos da temporada. Segundo Mauisnake, olhando apenas para o caminho percorrido pela equipe até o Major, ela não teria "merecido" a vaga se o critério fosse o nível dos oponentes batidos: quase nenhum time de top 20 foi derrotado no processo.

Em defesa do VRS, o próprio analista reconheceu depois que, em termos de nível de jogo mostrado, a equipe provou em servidor que tinha condições de estar lá. Ainda assim, fica o problema de design: um ranking que recompensa demais quem enfrenta só adversários fracos corre o risco de distorcer o verdadeiro topo competitivo.

VRS, tier 2 e tier 3: quem mais sofre com o sistema

Se times consolidados já sentiram a pressão, para as equipes de tier 2 e tier 3 o impacto foi ainda mais pesado. É nesse grupo que o VRS mostrou suas maiores falhas de incentivo.

Falta de incentivo e barreiras crescentes

O veterano Martin "STYKO" Styk foi um dos que apontou que, no nível mais baixo do cenário profissional, o VRS não oferece incentivos suficientes para que as organizações se mantenham vivas e competindo.

Segundo ele, apenas pouquíssimos times conseguiram "escapar da trincheira" em 2025 – entre eles:

  • NIP, que hoje já se estabilizou no tier 1;
  • PARIVISION, com presença em Major;
  • TNL, que mais tarde virou Inner Circle.

Ao mesmo tempo, o número de organizações fechando as portas foi muito maior do que o de organizações novas entrando no cenário. Em outras palavras: o VRS ajudou alguns poucos, mas a base da pirâmide competitiva ficou ainda mais frágil.

Endpoint, despedidas e a dificuldade de sobreviver

Um exemplo concreto foi a Endpoint, organização tradicional que dispensou sua line-up de Counter-Strike em meio à dificuldade de se manter relevante e competitiva dentro do novo ecossistema de ranking.

Quando um sistema que deveria abrir o circuito resulta em mais times abandonando o jogo do que surgindo novos projetos, é sinal de que ainda há curvas muito mal desenhadas nesse caminho.

O que analistas e pros pensam do VRS

O VRS dividiu opiniões, mas quase todo mundo concorda em um ponto: o sistema precisa melhorar, embora já tenha corrigido alguns problemas da era de parceiros.

Mauisnake: VRS acerta 90%, mas o 10% restante é crítico

Mauisnake resumiu bem a situação ao dizer que está "satisfeito com dois terços dos times" que chegaram ao Budapest Major por meio do VRS. Segundo ele, a maioria das equipes classificadas realmente fazia sentido naquele contexto competitivo.

Além disso, ele destacou um ponto positivo importante: mais times estão recebendo investimento e apoio financeiro por causa da existência do ranking e da clareza em relação a convites. Isso, por si só, já é um passo à frente em comparação ao passado.

No entanto, o analista considera que o VRS está fazendo "90% do que deveria fazer". O grande desafio agora é entender onde estão os 10% que faltam – justamente a parte que separa um sistema "ok" de um sistema verdadeiramente justo e competitivo.

STYKO: bom no topo, ruim na base

STYKO, hoje um dos jogadores mais experientes da cena, tem uma visão parecida, mas com foco maior na diferença entre topos e base. Para ele, o VRS cumpre bem a função de levar as melhores equipes aos playoffs de Major. De fato, olhando para as últimas fases decisivas, foram raros os casos de times claramente fora de nível.

O problema, segundo o jogador, está em tier 2 e tier 3:

  • Pouca motivação para disputar torneios que praticamente não mexem na pontuação;
  • Sensação constante de correr atrás de algo inalcançável;
  • Mais portas se fechando do que se abrindo para novas organizações.

Ele é categórico ao dizer: melhorias são necessárias. Mesmo sem ter a solução exata, STYKO reforça que o sistema, do jeito que está, cria barreiras a mais para quem já começa de baixo.

zonic: ainda não é a temporada ideal

Já zonic, que viveu o auge de CS:GO e CS2 em diversas fases, é mais pragmático: para ele, existe um modelo melhor de temporada por aí, mas nem ele sabe qual é. Isso mostra que a discussão não é só técnica – é estrutural. Encontrar um formato que seja:

  • Justo com os times;
  • Saudável para os jogadores;
  • Atraente para organizadores e patrocinadores;
  • E ainda alinhado com o que a Valve deseja para o jogo,

é uma equação complexa que ainda está longe de uma solução definitiva.

Possíveis melhorias e caminhos para o futuro

Se o VRS não é perfeito, o que poderia ser feito para aproximá-lo de um sistema mais justo e saudável? A comunidade tem levantado diversas possibilidades, e vale explorar algumas delas.

Ajustar o valor das partidas e força de oponentes

Uma das mudanças mais urgentes seria valorizar mais a força dos adversários. Em vez de premiar igualmente qualquer avanço em torneios aprovados, o VRS poderia:

  • Dar mais pontos por vitórias contra times de top 20 ou top 30;
  • Aplicar multiplicadores em eventos com campo extremamente forte;
  • Reduzir o impacto de torneios claramente farmáveis.

Isso ajudaria a corrigir distorções como casos de equipes que chegam a um Major sem quase nenhuma vitória relevante contra adversários de elite.

Rever regras de core e flexibilidade de elencos

A forma como cores são tratados hoje gera situações antiesportivas. Possíveis melhorias incluem:

  • Permitir maior flexibilidade em mudanças de elenco sem perda total de pontos;
  • Considerar o histórico de jogadores individualmente, e não só a core fixa;
  • Evitar que times sejam "obrigados" a inscrever jogadores que já saíram só para cumprir regra de pontuação.

Um sistema mais inteligente de rastreamento de jogadores poderia preservar a integridade competitiva sem punir organizações por ajustes naturais de elenco.

Melhorar incentivo ao tier 2 e tier 3

Para que o ecossistema seja saudável a longo prazo, a base precisa ter vontade de continuar. Algumas ideias frequentemente sugeridas:

  • Criar divisões dedicadas de VRS para tier 2 e tier 3, com pontos que realmente importem;
  • Garantir vagas reservadas em grandes eventos para campeões de ligas regionais fortes;
  • Estabelecer premiações mínimas sustentáveis em torneios que contam para o ranking.

Dessa forma, não apenas alguns poucos times escapariam "da trincheira", mas haveria um fluxo constante de renovação, com novas organizações tendo motivos reais para investir.

Repensar a substituição total dos RMRs

Um ponto que aparece bastante em debates é a saudade dos RMRs. Jogadores como Cai "CYPHER" Watson já falaram abertamente que gostariam de ver o retorno desse formato para definir vagas em Majors.

Os RMRs tinham um mérito importante: criavam histórias underdog memoráveis, como a campanha da Into the Breach no BLAST Paris Major. Com a centralização total no VRS, esse tipo de narrativa se tornou bem mais raro.

Uma solução híbrida – com VRS definindo parte das vagas e RMRs definindo outra parte – poderia equilibrar justiça estatística com emoção esportiva.

VRS, calendário competitivo e a economia de skins no CS2

Quando se fala em cenário competitivo, é impossível ignorar o impacto paralelo na economia de skins do CS2. Eventos grandes, histórias marcantes e jogadores em ascensão influenciam diretamente o interesse em coleções, adesivos e skins específicas.

Majors, narrativa competitiva e valor de skins

Majors sempre foram motores da economia de itens. Quando um time faz uma campanha histórica, o interesse pelos seus stickers e skins associadas dispara. Se o sistema VRS altera quem chega ao Major, ele também muda que times ganham visibilidade massiva e, por consequência, quais itens têm maior procura.

Por exemplo:

  • Times emergentes que antes nunca sonhariam em chegar a um Major agora têm caminho via VRS – se der certo, os stickers podem valorizar muito;
  • Por outro lado, se equipes tradicionais ficam de fora, coleções associadas a esses nomes perdem o impacto imediato de audiência.

Jogadores, colecionadores e plataformas de troca

A comunidade de CS sempre misturou competitividade com colecionismo. Muitos fãs assistem a torneios enquanto acompanham o mercado de csgo skins, apostando em tendências de times e jogadores que acreditam que vão estourar na cena.

Nesse contexto, plataformas especializadas como a csgo skin trade se tornam cada vez mais importantes. Lá, é possível:

  • Comprar e vender skins de forma rápida e segura;
  • Aproveitar oscilações de preço causadas por grandes eventos;
  • Montar inventários temáticos com base em times ou campanhas marcantes.

Jogadores que acompanham o VRS e entendem quais equipes estão em ascensão podem usar essa informação tanto para apreciar melhor o competitivo quanto para montar coleções mais bem direcionadas.

Calendário intenso, saúde dos jogadores e interesse do público

Um ponto de preocupação é que o grind necessário para se manter relevante no VRS está empurrando times para uma rotina extremamente pesada de viagens e campeonatos. Quando, já no começo da temporada, vemos equipes europeias atravessando o mundo para jogar eventos menores, três semanas antes do retorno dos grandes torneios, fica claro que há risco de saturação.

Se jogadores entrarem em burnout e o nível médio cair, isso pode afetar tanto a qualidade do espetáculo quanto o interesse de longo prazo do público – o que inclui, indiretamente, o engajamento com skins, adesivos de Major e outros itens cosméticos.

Um competitivo saudável, com calendário bem pensado, tende a manter a comunidade engajada, o que alimenta toda a cadeia: de torneios a orgs, passando por criadores de conteúdo e até pelo mercado de skins em sites como a csgo skins.

Conclusão: o futuro do VRS em 2026 e além

O primeiro ano do VRS em Counter-Strike foi tudo menos tranquilo. Houve erros técnicos, decisões controversas, grind exagerado e times injustamente premiados ou penalizados. Ao mesmo tempo, o sistema trouxe avanços importantes em relação à era de parceiros, abrindo espaço para histórias de ascensão como a da NIP e distribuindo melhor alguns investimentos.

Entrando em 2026, várias coisas parecem claras:

  • Os times já entendem melhor como "jogar o jogo" do VRS;
  • A Valve tem dados suficientes para ajustar pontuações, regras de cores e calendário;
  • A comunidade, de analistas a jogadores, está disposta a apontar falhas e sugerir melhorias.

O desafio agora é transformar o VRS em um sistema que:

  • Continue promovendo meritocracia, sem esquecer a qualidade dos adversários;
  • Não puna times que buscam enfrentar os melhores;
  • Dê condições reais para a sobrevivência de organizações em tier 2 e tier 3;
  • Preserve a saúde mental e física dos atletas.

Enquanto isso, para fãs e jogadores, acompanhar o VRS virou parte da experiência de viver o CS2: entender quem está subindo, quem está ficando para trás e como isso afeta desde os qualifiers até os grandes palcos de Major – e, claro, a própria economia de skins que gira em torno desse universo competitivo.

Seja você alguém que só quer assistir às melhores partidas ou alguém que também gosta de investir em csgo skins em plataformas especializadas como a csgo skin trade, entender o VRS ajuda a enxergar o cenário como um todo. O sistema ainda está longe de ser perfeito, mas é justamente nessa fase de ajustes que se definirá o futuro do Counter-Strike competitivo.

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